Rotary Club de Copacabana


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A Princesinha e a Roda

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Por Barcímio Amaral

Copacabana foi imortalizada pelo samba-canção de João de 
Barro(1) e Alberto Ribeiro, na voz de Dick Farney(2). Mas 
antes de ser a Princesinha do Mar dos compositores foi 
Sacopenapan (na língua tupi, “o barulho e o bater dos socós”, ave pernalta que vivia nos alagadiços). Ganhou o nome definitivo 
(“mirante azul”, em quichua, língua dos incas) após o aparecimento de uma imagem de Nossa Senhora de Copacabana, santa venerada no Lago Titicaca, no Peru, trazida pelos “peruleiros”, que faziam o 
comércio da prata, e colocada na ermida da colônia de pescadores.

Entre os muitos milagres atribuídos à santa está o salvamento do bispo dom Antônio do Desterro, em 1746. Durante uma tempestade que atingiu seu navio quando volta da África, o bispo prometeu que, se sobrevivesse, construiria uma igreja diante do local do naufrágio. Ela ficou no lugar da ermida, sobre o promontório do Posto Seis, até 1918, quando foi destruída para a ampliação do Forte de Copacabana, construído em 1914.

Símbolo internacional do Rio de Janeiro, a praia foi durante muito tempo apenas uma colônia de pescadores. Até o século XIX, o acesso era feito por duas ladeiras: a do Barroso, atual Tabajaras, e a do Leme. Ou num longo percurso pela Lagoa Rodrigo de Freitas. O primeiro grande proprietário foi Alexandre Wagner, que adquiriu, em 1873, três chácaras que iam da Ponta do Leme até a atual Rua Siqueira Campos. Copacabana foi transformada em bairro em 1892, com a chegada dos bondes da Companhia Ferro Carril e a abertura do Túnel Alaor Prata, o Túnel Velho, que liga Botafogo ao bairro a partir do Cemitério de São João Batista. Em 1904 foi aberto o Túnel Coelho Cintra, o Túnel Novo, mas a ocupação efetiva só começou nos anos 30. A Avenida Atlântica foi inaugurada em 1906.

A construção do Copacabana Palace Hotel e o episódio dos 
Dezoito do Forte (marco das revoltas tenentistas contra a República Velha), ambos em 1922, abriram as portas do bairro para o turismo e para a História do Brasil. No campo da música, foi o cenário do surgimento da Bossa Nova, na segunda metade da década de 50, com as reuniões do apartamento da cantora Nara Leão e os shows no Beco das Garrafas(3), na boate do Hotel Plaza e no restaurante Au Bon Gourmet(4). No cinema, ficou registrado em filmes como “Copacabana me engana” (1968), de Antônio Carlos Fontoura, e “Copacabana” (2001), de Carla Camurati, só para citar dois estilos e duas épocas 
(o número de filmes em que aparece como cenário é incontável). Também contribuiu para o desenvolvimento da televisão: sediou a TV Rio, no prédio do antigo Cassino Atlântico, no Posto Seis, demolido para a construção do Hotel Rio Palace, hoje Sofitel

O Rotary Club não poderia ficar fora dessa história. Chegou a Copacabana no fim dos anos 40, mas sua trajetória começou em 1905, em Chicago. O jovem advogado Paul Percy Harris, um solitário por natureza, percebeu a necessidade de as pessoas fazerem amigos e se ajudarem mutuamente. Certa noite, após jantar na casa de um 
amigo, Harris foi por ele apresentado aos vizinhos e constatou que as relações eram exclusivamente profissionais. Decidiu, então, transformar os clientes em amigos. Idealizou um clube de homens de negócios e profissionais e chamou três clientes – Gustavus Loerth, engenheiro de minas, Hiram Shorem, alfaiate, e Silvester Schiele, comerciante de carvão – para serem os fundadores com ele. Reuniram-se pela 
primeira vez em 23 de fevereiro, no escritório de Schiele, que se 
tornou o primeiro presidente, e decidiram que o quadro social seria composto de uma pessoa de cada categoria profissional, evitando a concorrência. Assim nasceu o Rotary Club de Chicago.

Harris tornou-se presidente em 1907. Suas principais metas 
foram desenvolver o quadro social, estender o movimento a outras cidades e dirigi-lo para a prestação de serviços. O objetivo inicial de auxílio mútuo foi substituído pelo ideal de servir, visando especialmente à paz mundial. Em 1910 realizou-se a primeira convenção, na qual foi criada a Associação Nacional de Rotarys. A entidade tornou-se internacional com a fundação do Rotary Club Winnipeg (Canadá). Em 1912, a associação nacional passa a denominar-se internacional, contando já com 50 clubes. São criados os primeiros distritos (regiões), que sediam determinado número de clubes, supervisionados por um governador. Os limites dos distritos dos clubes não correspondem aos geográficos: um distrito pode abranger parte de um país, de um 
estado ou parte de dois ou mais países ou estados e é desmembrado sempre que o número de clubes atingir um determinado limite. Em 1917 a Associação Internacional de Rotary Clubs passou a denominar-se Rotary Internacional.

Rotary é um adjetivo inglês que significa rotativo, giratório, 
circulatório. Daí o símbolo do clube ser uma roda dentada. Os fundadores optaram por esse nome porque as primeiras reuniões eram 
feitas em rodízio, cada vez no local de trabalho de um dos sócios. A pronúncia em inglês é rôuteri. O termo é anglo-saxônico, mas vem do latim rota. Por isso, lexicólogos consultados a esse respeito aconselham a forma rótari.

Em 15 de dezembro de 1917 foi fundado o primeiro clube do Brasil, o Rotary do Rio de Janeiro. O segundo da cidade é o de Copacabana, concebido em 1949, numa reunião do governador do distrito com o presidente do clube do Rio de Janeiro no bar do Hotel Bela Vista, em Volta Redonda. Pela primeira vez na América Latina foi criado um segundo clube numa cidade, chamado de adicional. O 
encarregado da fundação foi o banqueiro Donald Lowndes, que doou o sino usado até hoje nas reuniões. A primeira foi no Copacabana Palace Hotel.

Os tempos iniciais foram conturbados. Nos anos 50, o associado Hugo de Castro brigou com outro, desligou-se do clube e levou metade dos sócios, que decidiram se solidarizar com ele. Curiosamente, acabou voltando, tornando-se um sócio interessado e senhor dos 
assuntos do clube, exercendo até a presidência.

As reuniões semanais eram no Country Club, em Ipanema. 
Depois passaram para o Hotel Plaza, em Copacabana. Em seguida, foram para a Pequena Cruzada, na Lagoa, que, segundo Alberto Cumplido Sant’Anna, o mais antigo presidente (1970-71) ainda associado, não agradou aos sócios.

— Não tinha cozinha e a comida era levada por um bufê. Além disso era muito quente, mesmo depois que instalamos ventiladores, porque o prédio pegava sol o dia inteiro. Mas era fácil estacionar no canteiro em frente, porque naquela época ainda não havia tanta 
violência – conta.

As reuniões voltaram então para o Country, já numa época em que estacionar na Vieira Souto ou na Prudente de Moraes ficou perigoso. Retornaram finalmente para Copacabana, no Hotel Sofitel, que tem estacionamento seguro “e comida muito melhor”, segundo Cumplido.

No início o Rotary de Copacabana cobria toda a Zona Sul. Depois passou a, na terminologia do clube, “ceder território”, desdobrando-se em Leme e Ipanema, que, por sua vez, dividiu-se em Leblon, 
Jardim Botânico e Lagoa.

Além do programa chamado de “subsídios equivalentes”, com contrapartida de clubes do exterior, para os projetos sociais, o Rotary desenvolve basicamente três tipos de trabalho:

1) Bolsas educacionais no exterior, em que estudantes considerados excelentes, com características de liderança, passam um ano fora.

— O Rotary de Copacabana tem presença forte nesse programa. Já distribuímos 85 bolsas no Distrito 4570, ao qual pertencemos. É um número expressivo, considerando-se que cada bolsa custa US$ 25 mil – diz Cumplido.

2) Intercâmbio, basicamente com Estados Unidos e Suíça, pelo qual um jovem estrangeiro, com contrapartida para um nacional, fica três meses morando com um dos rotarianos. Há também um sistema de intercâmbio doméstico, entre distritos.

— Uma de nossas jovens chegou até a ser recebida pelo presidente John Kennedy – lembra Cumplido.

3) Grupos de estudo, em que quatro ou cinco jovens mais um rotariano passam 60 dias no exterior, também morando em casas de rotarianos, para visitar fazendas, instalações industriais, sistema 
judiciário etc. Coube ao Copacabana enviar grupos para Estados Unidos, Canadá, Índia, Itália, França e Dinamarca, entre outros países.

O clube também patrocina as associações Interact, para jovens de 15 a 18 anos, e Rotaract, para pessoas acima de 18 anos, duas espécies de pré-Rotary.

— O ideal seria que os participantes dessas associações depois ficassem no Rotary, mas o custo de ser sócio é alto – afirma Cumplido. — Na juventude as pessoas ainda estão lutando pela vida e fica difícil gastar tempo com trabalho social. Alguns clubes do mundo nem 
fazem almoço ou jantar de confraternização, apenas as reuniões plenárias. Nos Estados Unidos são muitos os clubes que se reúnem no café da manhã.

 

(1) Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, nascido em 1907, adotou o pseudônimo João de Barro quando foi participar do Bando dos Tangarás, em que cada integrante do grupo tinha o nome de um pássaro. É autor de obras-primas da música popular brasileira, como “Carinhoso”, com Pixinguinha, e “As pastorinhas”, com Noel Rosa. Sem falar nas incontáveis marchinhas de carnaval, como “Touradas em Madri”.

(2) Farnésio Dutra e Silva, cantor e pianista que escolheu o nome artístico de Dick Farney, nasceu em 1921 na Piedade, no Rio de Janeiro, e morreu em 1987, em São Paulo. Foi o lançador de um clássico da música americana, “Tenderly”, quanto tentou carreira nos Estados Unidos. Fundou o Sinatra-Farney Fã Clube, na Tijuca, um dos berços da Bossa Nova, de onde surgiu o cantor, compositor e pianista Johnny Alf (Alfredo José da Silva). Protagonizou com Lúcio Alves, expoente do Dick Haymes-Lúcio Alves Fã Clube, uma das mais famosas rivalidades da música popular brasileira, como as de Emilinha-Marlene, Jerry Adriani-Wanderley Cardoso, Roberto Carlos-Ronnie Von etc. Dick Haymes era um cantor popular americano (na verdade nascido em Buenos Aires em 1916) de grande sucesso no país, mas pouco conhecido no Brasil, ao contrário de Frank Sinatra (Francis Albert Sinatra, 1915-1998). Tinha um timbre de voz grave, como Lúcio (Ciribelli) Alves, nascido em 1927 em Cataguazes, Minas Gerais, e morto em 1993 no Rio de Janeiro.

(3) O Beco das Garrafas é uma pequena galeria na Rua Duvivier que tinha quatro boates famosas: Ma Griffe, Bacarat, Bottles e Little Club. Ganhou o apelido porque, segundo a lenda, os moradores do prédio em cima jogavam garrafas pela janelas para protestar contra o barulho dos shows, que reuniam artistas como Lennie Dale, Elis Regina, Leny Andrade, Wilson Simonal, Sérgio Mendes, entre outros. A Ma Griffe fechou, a Bacarat absorveu a Bottles e, como a Little Club, ainda funciona como “inferninho”.

(4) No Au Bom Gourmet foi realizado em 1962 o show Encontro, a única reunião de Vinicius de Moraes, Tom Jobim (ao piano) e João Gilberto (ao violão), acompanhados por Os Cariocas (na época, Severino Filho, Badeco, Quartera e Luiz Roberto), Milton Banana na bateria e Otávio Bailley Jr. no contrabaixo. No show foi apresentada pela primeira vez a música “Garota de Ipanema”, de Tom e Vinicius.

 

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ROTARY CLUB DE COPACABANA

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REUNIÕES PLENÁRIAS:
Segundas-feiras - Jantar às 20h30min
Hotel Sofitel - Av. Atlântica, 4240 - Copacabana
Nível E - Salão Copacabana
CEP 22070-002 - Rio de Janeiro - RJ
Tel. Sofitel: (21) 2525-1232
Fundação: 30 de junho de 1949
Admissão: 26 de outubro de 1949